O Brasil pode ampliar ainda mais suas exportações de soja para a China, em meio à escalada de tensões comerciais entre Pequim e Washington. Analistas avaliam o movimento como altamente positivo para o agronegócio brasileiro, mas alertam para possíveis atritos diplomáticos com os Estados Unidos.
Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a decisão da China de priorizar a soja brasileira tende a impulsionar as vendas principalmente no segundo semestre, período em que tradicionalmente os EUA lideram o fornecimento.
“Isso fortalece a posição do Brasil como principal fornecedor e traz ganhos imediatos para o agro. Mas ocupar um espaço tradicionalmente americano também acende um alerta em Washington, ainda mais em um contexto de disputas comerciais e políticas”, explicou.
Reação dos Estados Unidos
Dois dias antes do fim da trégua tarifária entre EUA e China, o presidente norte-americano Donald Trump apelou publicamente para que Pequim aumentasse em quatro vezes as importações de soja americana.
“A China está preocupada com sua escassez de soja. Nossos grandes agricultores produzem a soja mais robusta. Espero que a China rapidamente quadruplique seus pedidos de soja”, escreveu no Truth.
No dia seguinte, a Casa Branca prorrogou a trégua por mais 90 dias, adiando para novembro os aumentos tarifários que chegariam a 145% sobre produtos chineses e 125% sobre produtos americanos. A medida, vista por analistas como um movimento “desesperado”, busca proteger os produtores rurais dos EUA diante da crescente perda de espaço para o Brasil.
Avanço brasileiro
Enquanto isso, Brasil e China avançam em um protocolo bilateral de certificação e rastreabilidade para carnes e soja, reforçando a confiança comercial.
Os números já mostram a tendência de crescimento:
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77,2 milhões de toneladas de soja brasileira foram exportadas para a China entre janeiro e julho de 2025;
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há cinco anos, o volume anual era de apenas 35,3 milhões;
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em julho, houve recorde histórico para o mês, com 12,25 milhões de toneladas embarcadas.
Riscos diplomáticos
Apesar dos ganhos imediatos, especialistas alertam para a possibilidade de retaliações americanas.
“Trump já mostrou que não hesita em usar tarifas como forma de pressão e, se enxergar que essa perda de mercado para a China está ligada à competitividade brasileira, pode reagir. Ou seja, o avanço é positivo, mas precisa vir junto com cuidado diplomático para não virar motivo de novas barreiras”, avalia Campos.













