Avô e esposa são presos por tortura e maus-tratos contra netos em cidade de MT

Um caso grave de violência contra crianças chocou o município de Paranatinga (MT), a 411 km de Cuiabá. Um homem de 63 anos e a esposa, de 45 anos, foram presos nesta segunda-feira (15) suspeitos de torturar e maltratar os dois netos, de 6 e 8 anos, que estavam sob sua guarda.

De acordo com o delegado responsável, Gabriel Conrado, as crianças haviam sido abandonadas pela mãe em Mato Grosso do Sul, enquanto o pai está preso. Com isso, há cerca de dois anos, passaram a viver com o avô paterno e a companheira dele.

As investigações começaram após a polícia receber um vídeo no qual a madrasta do pai aparece obrigando uma das crianças, de 8 anos, a se comportar como cachorro, sendo forçada a comer do chão sob ameaça de uma mangueira.

Segundo o delegado, os pequenos eram submetidos a diversas práticas cruéis, como ficar de joelhos sobre tampinhas de garrafa, dormir fora de casa, apanhar com mangueira e vara, além de serem tratados como empregados do casal. Em uma das agressões mais graves, foram obrigados a mastigar roupas íntimas sujas de fezes. Também foi constatado que uma das crianças chegou a frequentar a escola descalça após ter estragado o calçado.

Com a prisão do avô e da esposa, as crianças foram encaminhadas ao Conselho Tutelar de Paranaíba (MS). O Ministério Público de Mato Grosso também pediu o acolhimento institucional imediato, apontando que o ambiente familiar era marcado por tortura, intimidações constantes, coação psicológica e violência física, em total afronta aos direitos fundamentais da criança.

O casal permanece preso preventivamente e deve responder por maus-tratos, tortura e violência contra vulneráveis. O inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário para que ambos sejam responsabilizados criminalmente.

Entenda o caso

Segundo o delegado, a omissão do avô foi determinante para que as agressões continuassem. Mesmo sendo o responsável legal pela guarda, ele permitia e, em alguns momentos, participava das violências praticadas pela companheira. O caso só veio à tona graças a denúncias de testemunhas que mantinham contato com a família e relataram a situação ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público.

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